Água

Caem como estrelas no horizonte da noite
Entregam-se como loucos apaixonados
Golpeiam, tomando para si tudo o que desejam
E mesmo quando não desejam
Corróem, diluem, esbravejam

Rastejam como bichos famintos
Violentam como doentes terminais
Carregam, levando tudo o que se move
E mesmo o que não se move
Desvelam, desnivelam, retomam

E minha dor vem como um refluxo
Remexe
Flutua como bolha de sabão
No infinito espaço da solidão humana

Pois a cada dia matamos algo que não nos pertence
Porque ainda nada nos pertence
Matamos algo a cada dia

Comentários

  1. Sensibilidade, força e maturidade, além de uma grande inquietação... assim é a arte da vanessa e assim tambem é a sua alma.

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