4.2.07

Vasto Mundo















Tudo em mim é um outro
Toda a existência me tatua
Mas uma luz se esvai no vazio que me devora
Como fogo primeiro
Todo outro é um ninguém
Um disforme que se perde na neblina
Folhas sem verde
Telas não pintadas
Ondas sem oceano
Carregando barcos sem leme
Um sopro sem oxigênio
Um vento
Eu sinto o vento
Silencioso no primeiro momento
Um vento sinuoso, colorido
Que carrega o passado
Mas um vento
Ventos passam e transformam
Ventos renovam
E eu desejo o mundo inteiro
Que será que este mundo reserva a mim?
Qual leveza...
Qual intensidade...
Em que ombro amigo vou poder chorar?
Que novas músicas ouvir?
Uma nova velha voz rouca
Uma nova velha suavidade
Um novo velho distante horizonte
Um negro, um homem disposto a voar...
Quantas paixões?
Tudo em mim é um outro
Praia, lagoa, universo
Tudo em mim é verso
Todo outro é um ninguémSempre pronto a se tornar alguém

Nenhum comentário:

Postar um comentário