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Mostrando postagens de Julho, 2009

eu, líquida

uma vontade de me fundir com a pedra
para receber a água
uma tal hipnose
que me leva a querer ser uma só com a água
sê-la

lançar-me e me tornar amorfa

mas a correnteza me impede...

essa junção, esse som, esse não pedir passagem
simplesmente porque ela tem que passar

esse nomadismo todo me faz querer não ser cada vez mais
apenas transitar

carregando a maravilhosa indiferença da natureza
o desprezo certo de quem não conhece nomes ou dualidades
o humor necessário daquilo que
mesmo na desgraça, ri

a vida é uma bem-aventurança?

um dia ainda morro de fome de viver...

to david

The cameleon is coming
Let´s scream!

enfastiada de oba-obas egocêntricos

Não é interessante ler as auto-narrativas espalhadas por aí? O que as pessoas dizem sobre elas mesmas? Achei algumas um dia desses... Gosto de ver como se gabam de suas diferenças com muita pretensão e são incapazes de rir de si mesmas. A persistência do romantismo adolescente, que enche a boca pra dizer: vejam como sou singular. E somos todos a mesma merdinha, gente. De onde vem essa nossa necessidade? Aliás, o que vc está fazendo aqui lendo isso?

Help, I need somebody [myself]

O que fazer quando a gente não cabe mais dentro de si próprio? Quando temos vontade de dizer tudo o que pensamos e fazer tudo o que queremos... e esbarramos nos limites?

Em tempo, Nietzsche...

Quando a alma parece querer voltar há sempre Nietzsche para livrar o corpo da sombra da alma...

Ao Mistral [canto-dança]
de A Gaia Ciência [tradução de Paulo César de Souza]

Vento mistral, caçador de nuvens,
Matador de tristezas, varredor dos céus,
Como te amo, ó vento que ruge!
Não somos os dois primícias
De um só ventre, predestinados
A um só destino eternamente?

Aqui, sobre lisos caminhos nas rochas
Corro dançando ao teu encontro,
Correndo quando assovias e cantas
Tu, que sem navio e sem remo,
O mais livre irmão da liberdade
Saltas por sobre mares bravios.

Mal acordara, ouvi teu chamado.
Precipitei-me para as falésias,
Para a dourada muralha junto ao mar.
Salve! Como claras, diamantinas
Correntes já vinhas, vitorioso,
Do lado dos montes.

Pelas planuras do céu
Vi os teus corcéis galoparem,
Vi o carro a te levar,
Vi mesmo a tua mão avançar
Quando, sobre o dorso dos cavalos,
Como um raio brandia o açoite.

Do carro te vi saltar
A fim de mais veloz te arrojares,
Como que abreviado em flecha te vi
Cair verticalmente …

em homenagem aos tatuís

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existe um mundo que é maior que a vida
onde dançam partículas que nada mais são
que a possibilidade e o acontecimento

ainda que maior que a vida
há vida nesse mundo como há água na terra
há forças maiores que nossas vontades cotidianas
porque elas dizem um desejo mais sutil
uma percepção mais fina, um sentir mais aguçado
porque repleto daquela sensação de ver um pôr do sol
que você tem certeza que é o mais belo que já viu
e ninguém pode te dizer que não
aquela sensação de não saber o quê
aquele prazer em não ser e não entender

o barco segue
a vida é sempre maior que o barco
as andorinhas permanecem migrando
os holofotes mantém as cidades acordadas
apagam e acendem no movimento de sempre
pois a luz não importa sem a escuridão

as tartarugas vão nos dizendo da vida como as árvores
e nada mais importa que não seja a alegria
dessa toda amada Terra que reluz azul
que gira bailando
que abre os olhos a cada dia a noite
para sempre ver por perspectivas diferentes:
de sol, de lua, de neblina, de tempestades

o cheiro da …

Nova tattoo

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Não é extamente esse desenho, mas essa é a inspiração!

A vida é maior que tudo, muito maior que eu e vc
O tempo, esse que é grande, é a paz que eu preciso...

de martin de sá

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Sons que exalam vem dizer:
Minha luz é uma aurora carregada de amor e desejo!
Há um cheiro que sempre retorna.
E cada vez mais,
um cheiro que me faz salivar.
E o meu coração palpita e lateja,
só deseja, só cintila.
Se destrói, mas se recompõe.
Para a cada dia iniciar sempre uma nova aurora...

até breve à UFF

Hoje foi minha última aula na UFF... Já sinto o vazio. Mas o que me anima é que rapidinho ele vai ser preenchido...rs. O mestrado vem por aí com força de arraste. Bom, quero deixar aqui registrado meu agradecimento aos alunos que me acolheram de forma muito especial. Serei por muito tempo [pra sempre é meio demais...rs] grata por isto. Esses dois anos na UFF foram sem dúvida um dos momentos mais importantes da minha vida. Eis que me deparo com a Vanessa professora, que até então eu não conhecia... E como eu gostei dela!!! E como gostei de me descobrir "desrespeitando" hierarquias, disparando "revoluções", criando: desejos, afetos, idéias, atos; ou simplesmente dando uma aula sem muitas pretensões, mas sempre com presença e atenção. Agradeço ainda aos professores [que já foram meus professores] que me apoiaram e torceram por mim lá dentro. Se fui uma boa professora quem pode dizer são os alunos; eu acho que sim, mas com muito ainda a aprender, e sem dúvida eu faria …

alô, quem fala?

mon dieu, e a voz que não volta de vez... haja arruda e batucada no tambor! to preparando uma catarse para a já lendária estréia do efêmera ;). aguardem amigos, surpresas pela frente. a volta dos que não foram!

cais

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um dia vou me lançar ao mar como coisa arremessada
e ai de quem tentar me segurar
irei carregada por uma força não mais temerosa
não incompreendida mais

nesse dia brilhará um céu muito azul,
manta que cobrirá uma revoada de pássaros migrantes
e haverá festas por toda a cidade
bebedeiras, fanfarras, fantasias
música pra todo lado...
não pode nunca faltar a música

e quando todos estiverem em comunhão
sairei de mansinho não querendo ser notada
vestindo apenas uma roupa colorida
e um chapéu de marinheiro

levando uma mala cheia de saudades futuras,
subirei ao cais e partirei

apenas o céu saberá com seus olhos luminosos
o que estará prestes a acontecer
ele será meu guia, amigo e confidente
céu dos papéis que levarei e das garrafas mensageiras

partirei assim,
como partiram naus catarinetas,
navios vikings e piratas
e toda a diversidade de criaturas
que sentem o ar rarefeito da terra