irmãos...

para nos libertarmos: um poema de pedro chiappini...

idiotas

miseráveis

humanos!

não sabem que a liberdade é irmã do amor?

amarram-na com anéis e vestidos brancos,

investem no futuro, assinam contratos, fazem casas e planos,

assassinam a liberdade tentando eternizar o amor,

mas o amor É eterno!

tolos

sedentários!

não sabem que o corpo é irmão do prazer?

afastam-no do sol, da pele, dos abismos,

abstraem ao corpo uma alma e um gênero, crentes, espartanos!

assassinam o corpo tentando encontrar o prazer,

mal sabem que ELE os encontraria!

cegos

insensíveis!

não sabem que a vida é a própria irmã gêmea da alegria?

rebaixam-na ao chamá-la felicidade,

têm com esta alguns passos de uma dança medíocre, logo e sempre perdem-na,

e por todo seu tempo inútil na terra

buscam-na em algum outro lugar, essa pequena ridícula,

“lá, onde não há dor ou sofrimento”,

“lá, no céu, no Estado ou numa outra vida”

“lá, enfim, no átomo ou no infinito”

assassinam toda vida que poderia existir,

e apenas aí, então em paz, felizes, continuam a viver

humanos

humanos

humanos

“irmãos”, se conclamam, irmãos da morte, eu os nomeio,

não sabem que a alegria é a própria vida

em seu jogo indiferente e maravilhoso

de tudo

e de nada?

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