21.4.10

desabafo

viver pairando sobre as brisas
para depois lançar-me novamente
pudera eu ser brisa
e toda a vida pareceria mais leve
mas eu sinto até os interfones quando tocam
e as britadeiras espalhadas por todas as cidades
que hoje já são grandes até mesmo sem sê-las
e que agonizam em obras sem fim
quero ser poeta do meu tempo
mas não sei até onde isso é possível
recolho as folhas e os gravetos de outono
para que não perca de vista minha alegria de mudanças
porque elas doem
e eu sinto doer cada pedaço do mundo
as agonias, a força vencida pela arma
os peixes, as tartarugas, e tudo o que sofre no mar
tão invadido de garrafas
carregadas de uma mensagem que preferia não ler
sinto a dor de cada árvore derrubada,
cada planta impedida de crescer,
cada inseto que se esquiva no concreto
e por tudo o que é grande
porque é difícil desejar a grandeza em terra de ovelhas
e é por isso que eu amo as putas que querem ser putas
os vagabundos por opção
as chuvas e as trovoadas
navios, aviões, grandes máquinas
eu não concebo presente sem passado e sem futuro
o tempo não é linear, nem o passado e o futuro
são menos reais que o presente
e por isso vivo por aí uma solidão errante
sem curtir as baladas sociais
ou as reuniões em torno de cadáveres
onde não se diz nada e só se esquece que se vive
quero sempre sair por aí
mas não sei o quanto o meu querer
é suficiente para eu me jogar

20.4.10

Pílulas

1. Em tempos de sociedade de controle morar num prédio sem câmeras nos elevadores, corredores e garagem é um luxo contemporâneo pra quem não sorri ao ser vigiado... Já há câmeras demais no mundo, inclusive nas bolsas e bolsos de todo mundo que, não contente em utilizar seus celulares em nome da proteção e do bem querer daqueles que amam, ainda podem utilizá-los para o disque denúncia da vida alheia.

2. Manoel Carlos, poupe-nos de suas lições e manuais de como viver a vida!

3. Serra na capa da Veja sorrindo? Alguém já viu o Serra sorrir antes? Quanto custa esse sorriso de Monalisa?

4. Escrevo tão pouco ao papel hoje que minha letra leva um tempo pra se encontrar...

5. A questão não me parece ser produzir e criar, mas produzir e criar com consistência.

6. Nas décadas de 70 e 80 Caetano Veloso, Sidney Magal, Ney Matogroso, Rita Lee, cada um com a sua genial singularidade, frequentavam o programa dos Trapalhões. Hoje a Turma do Didi recebe os astros mais singulares e inteligentes da nossa televisão: os ex-BBB´s... Uh, uh, uh, que beleza! Eu tento não ser nostálgica, mas no caso da TV parece uma tarefa árdua.

7. As tecnologias de visibilidade são perigosíssimas para quem tem o que dizer ao mundo. Fazem uma massagem no ego booooooaaaa...

8. O comercial sobre os 50 anos de Brasília merece o prêmio de piada do ano! E um prêmio especial deveria ser concedido a todos os moradores das classes média e alta que andam por lá produzindo abaixo-assinados para que escolas públicas não sejam construídas ao lado de suas singelas casinhas, e que as existentes sejam fechadas. Viva a diversidade brasileira! O gente bonita, nada preconceituosa, nada racista, nada machista, nada moralista... Um beijo na sua boca cheia de dentes!

9. Acho que estou enfastiada e vou dormir. Descobri com Foucault que sou um pouco romana,já que os romanos exercitavam a "escritura de si"... E ela cansa.

Olhos de poeta

Ainda que me conheçam provável Isolada numa sala Sábia ou desinformada Tenho mesmo é olhos de poeta Quando chego a um novo sítio Ou per...