palavras e coisas

algumas palavras não mais compõem meu vocabulário
não sou literata, sou poeta
e poeta não precisa da linguagem-objeto
as palavras me são as coisas
voltei no tempo para me transformar em mago
se me prendem, definho
meu coraçãozinho livre sofre e se esvai a força
não antes, claro, de rir muito alto
e produzir afetos que lhe parecerão insuportáveis
se me obrigo, morro
mas me dê sal, ervas, um tambor e chocolate
e faço o universo
cate comigo conchas no fundo do mar
e me entrego
me conte desejos e projetos
e derreto toda
afinal, sou poeta porque digo que sou
assim como apenas simone e sartre poderiam dizer que eram um casal
quero cada vez mais os elementos
e o sentido da vida que vá para o inferno
já achei o meu
a astrologia me é tão séria quanto sua ciência
amo a música e as imagens com a mesma intensidade
e minha religião é feita de terra, sangue e maresia
no meu panteão, cristo é irmão de dionísio
e pouco me importa o que você pensa que sou, o espelho que faz de mim
eu te surpreenderia se me conhecesse
e por isso celebro a mim mesma
isso que se constrói e destrói a todo instante
pois há um prazer diferente em celebrar sozinho a vida
o que como na torrada é um pântano com cheiro de mar
o que bebo é história pura renovada no corpo
para criar tatuagens que com o tempo se vão no vento
e no espaço empreenderão a arquitetura do desejo

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