A saída para o mar

Eu sei, ainda que não a veja
Ela está sempre lá
Na direção da janela do meu quarto

A saída para o mar aberto que amplia esta baía

Onde uma fortaleza já perdeu o seu sentido
E não é nada mais agora que uma bela obra de arte
Como se tornam todas as obras de arte com o tempo
Puro vazio...
Sangue que ficou num lugar desconhecido

Mais bela quando o mar se agita
E em sua muralha as ondas quebram indiferentes

De lá de cima posso vê-la melhor
Conversam as obras artísticas
A de onde estou, utopia de arquiteto
E a que te abriga aí embaixo, no mar

O passado e o presente em conversa
Tecendo um futuro já tão próximo
Que posso sentir o seu cheiro

Ele entra sempre pela minha janela
O vento é sua carruagem

Naquelas noites calmas
Em que os ônibus dão trégua de fazer passagem
E não há adolescentes a gritar no pátio
Só a luz do museu encoberta por uma neblina clara
E a minha velha conhecida inquietação

Nem mesmo as paredes tão sufocantes
Desse apartamento podem me impedir senti-lo
Já impregnou meu corpo
Não há mais volta
É caminho certo
Tortuoso e coberto de perigos
Mas definitivamente certo

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