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Mostrando postagens de Junho, 2011

perdidos achados

poemas encontrados perdidos em um caderno. chegam aqui da forma como foram achados, sem lapidação, sem cuidado, frescos como quando vieram ao mundo.



A vida, que sempre me pareceu curta De repente hoje me pareceu tanto... Imaginar que chegarei aos 50, 60, 79 anos São mais 20 ou 30 Mais 40 ou 50 anos? Posso fazer o que eu quiser! Quanto mais tenho que esperar? Trabalhar? Para quê? Queria estar sempre no topo do mundo, no alto das montanhas Os Andes, o Himalaia E descer todos os mares Experimentar todas as especiarias Os sabores das frutas e das folhas Os molhos, as ervas, os cremes Beber todos os vinhos Sentir o cheiro do incenso na Índia e no Nepal Curtir o mar do meio do oceano Ouvir a maravilha da gravidade dos sons dos sinos budistas Correr por castelos, e me integrar nas primaveras doces dos rios todos Para que tanta política e ciência Se o que quero é sentir o mundo? Se assim sou feliz, Apenas sentindo... Para que precisamos de política? Mais precisaremos dela enquanto negarmos nossa liberdade e potência
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poema-oceano

o mar sob meu teto todo dia sinto o cheiro janela aberta é condição
a onda sempre vai e volta mas meu barco faz porto de qualquer lugar que se apaixone
fica, e deixa que vá e volte só a onda
mas se volta, depende fato é que ele vai
o mar sob meu sonho... meu barco já está no mundo apenas eu que ainda não cheguei

poema-jardinagem

Imagem
queria hoje uma chuva de flores a cair sobre meu corpo retirar-lhe o peso e transformar-lhe em flor eu o queria inteiro, esse corpo cansado, sem chão para oferecer-lhe cheiro de alfazema no pé, cor de rosa, violeta, orquídea preta senti-lo pétala a pétala como se fosse gérbera vermelha
queria hoje ser um lírio aposentado, um girassol abandonado, a compartilhar com ervas daninhas o gozo de brotar de qualquer jeito
ser um corpo leve e sair por aí como dama da noite que não pede desculpas ao entrar sem bater um frangipani enlouquecido!
corpo sem culpa, eu brotaria dente de leão, flor que voa, e voaria para sempre até que me esvaísse
quando então eu já seria uma lótus universal conectando o espaço sem fim de todos os corpos morando sob suas cabeças os ajudando a brotar e voar
queria hoje só brotar e voar e dormir como guirlanda floreada posta na árvore do jardim