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Mostrando postagens de 2012

ainda a calma do mundo

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no final do ano passado escrevi um poema com os desejos para 2012... em 2012 tudo mudou na minha vida, mas é engraçado perceber como os desejos mais fundamentais permanecem os mesmos... e como esse poema foi, sem dúvida, um poema que expressou desejos profundos e, de alguma forma, um guia desse ano tão intenso. sendo assim, republico o poema. ele já não é mais o mesmo... e, por isso mesmo, faz todo o sentido como um poema-desejo pra 2013!

uma praia
eu, você, o mar
todos nós
sol até se pôr
chuvinha fina no cair da noite
café, biscoito doce
rede para embalar os sonhos
sonhos para se tornarem reais
guitarras, pianos, enganos deixados de lado
cachorro dormindo, bem-te-vi no telhado
planta despertando com a água
água para diluir as dores
calma para as batalhas do mundo
lua, estrela, eternidade em um segundo
energia para as manhãs
suco de frutas, capim limão e pães
castanha para ter crocância
bicicleta para a consciência e a errância
amor em cada canto da casa
no jardim e no banheiro, flo…

anunciação

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pois querem voar, estes pés
e descansar as palavras
o tempo da poesia
no corpo
retorna


o primeiro poema

porque eu te amei
(amei?)
e te disse
que te escrevi teu último poema
não quer dizer que eu não os escreva mais

mas esses não entrarão nos compêndios

serão meus
da minha liberdade
de te falar nas entrelinhas
escancaradas, é certo
mas não estão direcionadas
pode abrir sua caixa de emails
não haverá nada

esses poemas de agora
podem ser de quem quiser pegá-los
estão por aí
para serem compartilhados

se quiser fazê-los seus
pode pegar também
é de graça
posso até levar
na porta da sua casa
(eu inseriria um emoticon piscando
...se fosse possível lê-lo)

porque eu te amei
e chorei tanto aquele dia cinza
eu hoje acordei rindo sem palavras

mal saberia eu que voltariam, elas
pode se orgulhar
estou criando obra de arte
com você

mas eu chorei por um motivo nobre
todo mundo há de concordar
faltava seu corpo

que ficou no mês passado
inteiro
que ficou num abraço sábado
meio

mas faltava
ora
às vezes falta mesmo

mas então eu acordei
e havia sol
então eu saí e vi o mar
então eu peguei minha bicicleta
e f…

é melhor ser alegre que ser triste

era uma vez um poema alegre que queria contrastar com um poema triste então o poema alegre resolveu não ser palavra e saiu por aí fazendo carnaval

quando chove uma chuva persistente

acordei cinza

a minha contradição
tem o nome tristeza
daquelas que parecem
passageiras
em dias de chuva persistente
mas presentes, o suficiente,
para desmoronar
as fortalezas

daquelas que apertam o peito
diminuem o viço
puxam pro solo abaixo
um corpo cheio de vida
numa hora cheia de alegria

eu deveria
ser mais atenta
na presença do meu corpo

a tristeza me desafia

duvido da própria força
escarro muitas palavras
e me pergunto
para que jorrá-las
se, na verdade,
é tão mais simples

tristeza ou alegria
não existe outra coisa
melancolia?

não, talvez eu tenha me enganado
caí mesmo foi numa tristeza profunda
que não quer se olhar
no espelho
e afunda o corpo
num travesseiro velho

de que adianta dizer
que o sol brilha
se quando chove
a alegria
que se queria
é justamente aquela
que não pode ser?

e desabo

que tanto prazer esse
de brincar com as palavras
de um dia acreditar no amor
e no outro não saber sequer
no que acreditou?

eu que amo tanto...

a minha contradição
tem o nome tristeza
mas sei que…

o poeta inventa viagem, retorno e morre de saudade

saudade deve ser uma herança que carrego dos antepassados portugueses... sinto saudades de tudo, até do futuro. ao menos é o nome que dou a uma certa ansiedade que se mistura a um sorriso bobo de quem gosta do que viveu ou do que vai viver, mesmo sem saber exatamente o que virá ou sem entender o que se passou. acho que só sente saudades de verdade quem tem coragem de se lançar ao inevitável da vida... saudade não é falta... é alegria do vivido, do outro e alegria do que virá. aquela energia nos momentos difíceis, inclusive, e uma dose extra de coragem para viver o presente com toda a intensidade, para se construir grandes narrativas de vida. hoje, ao menos, é assim que sinto. amanhã, sabe-se lá... certo que a saudade produz uma melancolia, mas a melancolia nos ajuda a lidar com a vida. é necessária para entendermos o quanto fazemos parte do universo. deveríamos dar mais atenção a isso. saudade e melancolia tem uma relação siamesa, me parece... e por sua vez, com a liberdade e a felici…

karine aos 25

ela chegou sem pressa
e de surpresa
tinha a calma de quem
parecia saber
que viria para trazer
doçura

e fazer nascer uma canção
de encantamento
e conciliação

ela cresceu iluminada
de cabelos cacheados
dourada

dona de um afeto absurdo
saiu por aí distribuindo beijos
carinhos, afagos que nunca
poderiam ser negados

mas ela é hoje
ainda uma criança
porque na sua beleza
de se tornar gente grande
guardou aquele olhar
curioso, de quem sabe
que o mundo
ainda tem muito
pra dar

ela só cresce
ela é grande de alma
ela é força tamanha
de ser amor-mundo
como se quisesse abraçar
todo esse mundo

ela é essa energia
em ser
só amor
mais nada

porque amor
é tudo

karine aos 25
é mística
misticismo concreto
de ser pura magia

amor-mago
que conquista
e arrasta
pro universo sem fim
das coisas
encantadas dessa vida

do amor, que nunca é demais

quando chega a sua hora
o mundo estoura a placenta corporifica um jardim florido a vida ganha colorido diferente derrete a neve necessária e vem a primavera quente anunciando o verão fertilidade
é que de repente tudo se torna possível potente
amor é força que move  de todas as formas em todas as tribos o mundo clichê mais caro da nossa história raro ainda assim
e basta um segundo pra sua aurora se anunciar
é bem como diz Chico o amor não tem pressa ele pode esperar
e quando chega a sua hora a vida que é demora se apressa em ser inteira festejar porque amor é só festa quando ele vem, só nos resta aquele se entregar
livres
se não liberta  amor não é amor é o que existe após a espera de se tornar ainda maior e fazer da vida correnteza que carrega vento
vento que sopra pra fazer voar

uma crônica no dia da cultura

escrevo, nesse dia da cultura, uma crônica do meu dia que, desconfio, pode até falar da cultura, mas não tenho tanta certeza. só sei que eu pensei nela o dia inteiro. então pode ser que sim, que eu fale da cultura. meu dia hoje foi marcado, basicamente, por discussões, leituras e escritas. um dia cultural? eu ia comemorar o dia da cultura no samba da pedra do sal. mas desisti. não consegui quem fosse comigo. e, mesmo assim, talvez eu não tivesse ido, porque fui tomada, como às vezes acontece, pela febre da escrita. eu já havia sambado no fim de semana. e dançado bastante. venho dançando há semanas. dancei charme, até meus pés cansarem. estou cogitando virar frequentadora assídua de bailes charme. essa música se conecta comigo de uma forma estranha, fisicamente interessante. inexplicável. mas tudo está tão inexplicável que pouco importa. um garoto que me viu entregue ao charme veio falar comigo que estava encantado com a minha entrega à dança, que percebia que eu não era da galera do …

o último poema

é chegada a hora do silêncio

uma hora de faxina

muitas caixas
serão necessárias
alguns buracos
algumas estradas
para novas esquinas

é chegada a hora do espia
pra que um dia
o peixe certo venha à rede

é chegada a hora
de pôr em questão
toda melancolia

de esquecer o passado
tanto quanto o futuro
porque é hora
de concentração

pouca noite
muito dia

é chegada a hora

de deixar cair os pesos
de quebrar os totens
já que é tudo pedra mesmo

é tempo de clausura dos desejos
um tempo de meditação
e calma, espinha ereta
para saber o que fica
e o que parte
nessa vida

uma nova casa me espera
uma nova vida já começa
um novo sentido pra existência
precisa ganhar corpo
ainda mais

porque ainda é cartilagem

o que expor
na hora certa
e a hora de calar-se

sabê-los é liberdade

revelação

a poesia é uma vadia que escancara tudo poderia ao menos, ela, ser um pouco mais reservada, sentar de pernas cruzadas? mas a poesia é apaixonada e livre e de tão livre não esconde nada

2/4

à doce melancolia do samba meu coração, que é bamba, não resiste e canta, como se amanhã o mundo não mais existisse canta aquele rio que passou em minha vida e levou meu coração que assobia rio denso, águas turvas o samba, nesse corpo enluarado, me alivia

a poesia de outubro

o mar é minha calma
nos dias frios
tão mais meu
no maremoto interno
silábico, de mim

e me ensina
a ser
silêncio

queria saber
como não precisar das palavras
eu que me lambuzo nelas
até engasgar

pois depois de um tempo resistindo a ele,
o silêncio,
ao reencontro com o que desejo
de mais intenso,
a estar só

depois de algum tempo resistindo
a um choro que nunca veio...
eu chorei esse choro

chorei
porque não era possível não chorar
chorei como se chorasse pontos de exclamação

porque sou também aquele humano
demasiado humano
para além das ficções que criei

e minhas personagens me pareceram frágeis
quais ainda me servem? devo perguntar

um mito é em parte verdade
em parte uma grande miragem
e tudo o que eu mais queria agora
eu não diria à ninguém nessa hora

simplesmente porque um dia
ficará escancarado
nas estradas quentes da vida,
que só existe porque pulsa
(e até no gelo, é energia pura)
se assim ficar em mim
e se os pré-conceitos todos
alheios
não vierem impedir
que o muro, esse esteio,
se…

crônica de um fim de semana de um mês já passado

estou trocando a pele nesta noite de domingo.
aguardo, com as unhas cor de vinho,
que meu coração suspenda a ansiedade.
aceito o triunfo da fortuna.
é preciso deixar o universo agir.
foi-se a sexta e sua euforia.
foi-se a sexta de um embate.
interminável reunião.
foi-se a sexta da obrigação.
a sexta que da calmaria passou longe
e me deixou ansiosa de vontade...
foi-se o sábado.
de mais um ano do homem que me deu à luz.
este que me ensinou a lutar,
ainda que sobre isso as palavras nunca venham entre nós.
foi-se o sábado da prosa boa com a avó.
e eu que tanto busquei por uma história pra um romance,
tenho-a agora em minhas mãos.
uma família e cem anos de solidão.
histórias e pessoas que só então eu soube que existiram.
homens e mulheres que viveram noutra época.
alguns que morreram de amor.
foi-se o sábado de reencontros daquela família.
o sábado longo, de sol e de lua.
o sábado da volta tua.
e de uma noite em que era preciso distrair-se.
foi-se o sábado do baile
e do bonito menino de …

vanessa

venha vida!
venha com tudo!
mantenha-se no ritmo que está
e continue me trazendo
essas coisas todas
que havia reservado
para que só chegassem agora

passaram-se os anos

foram intensos
foram necessários
foram dolorosos

e então,
eis que é festa o meu coração

ainda tateando...
mas pulsa mais leve
anda de saia
que balança com o vento
se ele sofre?
mas é claro!
porém, hoje, ele ri
hoje, ele respira

então pode vir
que a porta está escancarada
e o que eu era já não mais reconheço
sou agora mais o que eu quero
cheguei em vários pontos
de outros estou perto

sou um desejo incontrolável de viver
porque hoje sei
que tenho a força necessária
para só ser

a borboleta
saiu do casulo
agora voa
e mais nada
sua missão
já estava cravada no nome
desde antes de nascer

essa, cujo nome
foi criado num poema de amor
e, vejam só,
por um escritor

mensagem na garrafa

o que pode,
um encontro de oceanos,
ser capaz de produzir?

nado num mar desconhecido

eu, atlântica
você, pacífico

como escrevi um dia
tomada por uma febre,
também ela, oceânica

pergunto
se será tsunami
sudoeste
ou calmaria

estarão os barcos
à deriva?

cada um de nós
imensidão
tanto ainda desconhecido
lá nas profundezas escuras

cada um de nós
amplidão

mas para alívio do corpo marítimo
o tempo do oceano é longo
e nos recorda que as marés
se renovam no dançar da lua

num piscar de olhos do planeta
de repente, tudo muda

o garoto do 415

reparei em você
calado
em pé num 415 lotado

era bonito
tinha rosto de menino
embora cansado

parecia não ser mais
tão menino assim

eu te olhava
você me viu
acho que gostava
da música que eu ouvia
quando sorriu
lendo meus lábios
ao me ver cantarolar

minhas tatuagens
chamavam seu olhar
e eu cantava despretensiosa
espiava da janela, a noite

eu poderia ter falado com você
e até agora
passado algumas horas
não sei porque não o fiz

nem você, me pergunto

eu não precisaria saber seu nome
você era lindo
você tinha barba
cabelo claro despenteado
e usava óculos

quanta imaginação
se passou dentro de mim, garoto
naquele trajeto longo

quem sabe não era você
quem viria me aliviar
a angústia de uma paixão doida
que me toma o dia

como se eu quisesse deixá-la...
essa paixão que tanto tem a minha estima
porque é pura vontade de viver

mas às vezes
a saudade é física
mesmo que tenham se passado
tão poucos dias

e como manter viva a alegria
sem deixar que tome o gozo
uma melancolia cinza
de querer o outro
n…

into the wild

such is the way of the world
such is the passage of time
too fast to fold

é por isso que minha poesia
fala somente ao que me toca
porque aquilo que me toca
faz a vida cumprir seu desígnio
de ser grande
simplesmente porque é
o que não se pode negar
aquilo para o qual
não é possível fechar os olhos

selvagem

assim, quando falo de mim
falo do mundo
não do ego

sou uma mulher que corre com os lobos
que vê a vida como um grande livro
e não se contenta em ler apenas
as primeiras páginas
que tem medo
mas deu a mão à coragem
que vai
porque ficar é morrer devagar

que se lança ao mar,
à montanha, ao amor,
ao novo e sua violência

porque amor é liberdade

e perto da natureza selvagem
é onde me sinto melhor
onde tem suor
corpo, terra,
água, vento,
música
silêncio

com tudo isso
faço da minha poesia
o maravilhoso do dia a dia
porque faço do dia a dia
o maravilhoso

quis ser cineasta
porque penso em imagens
descobri que faço imagens
melhor com as palavras

é com elas que conto do meu mundo
é por elas que pa…

fragmentos de uma carta para ele

do seu olhar escandaloso

alivio um grito
do alto do meu ego destruído

respondo pela calma
em ondas de respiração profunda
(e é preciso ter postura)

por isso durmo
clamando por nada
por um espaço vazio de sentido
em uma existência apaixonada

acreditando no acaso
e também nas suas falhas
de tempo que se esgota
quando o acontecimento
se instaura

e não me farei de morta!
dança, solitário,
um Dionísio nascente na minha porta

porque não existe força que se atente
para essa ausência desmedida
e eu busco as palavras
por falta de algo mais certeiro agora
pra dizer o que eu não diria

ao menos não escondo
um sorriso errático
que busca pelo teu
encantado

sou estrela em combustão
te conto uma história
e deixo transparecer
que quero a aurora de dias mais leves

faço poesia
como quem faz o bolo pra o café
pra que o teu olhar subterrâneo
me desperte essa fome sem tamanho

no fundo desses olhos castanhos

pra que a arrogante palavra
não possa se instaurar
no meio de quereres tão libertos

você, ao meu lad…

numa noite de chuva

minha sapatilha vermelha
encharcada da chuva
só desejava vagar

tudo parecia incerto
mas foi certo como poema feito pra chorar

ela buscou os amigos errantes
e foi na sua errância sentar só

pediu uma pizza, uma cerveja e uma alegria
não aceitou a burocracia cinza
da fila e do transporte
daquela gente toda com cara de apatia
tão apegadas às suas casas
que esquecem que existe poesia
apegadas, todas elas, a uma sobrevida

que atravessam o mar todos os dias
e, moribundas, só esperam a hora de chegar na terra

respirou fundo
aquela sapatilha vermelha que foi vagar
mandou mensagens para os queridos e recebeu uma resposta
a resposta certa de uma alma errante
cumprindo deveres que a errância não entende
mas precisa aceitar

mas, nossa, que alma alegre!
eu devia era ter te sequestrado

e essa chuva então...

com o esmalte vermelho paixão
sentei na mesa coberta por um toldo verde
e lembrei também do amigo Juba, meu amor de vento,
das noites que ali passamos em nossas gastronômicas orgias de sabor

pra…

para ela

te saúdo
primavera
do melhor jeito que sei
com o corpo alongado, música e perfumes
a casa já está repleta de flores

te saúdo
com aquela garrafa de vinho e o coração cheio de amor

para ti plantei um trevo de quatro folhas
em ti renasce minha alma leve
que só deseja movimento

primavera
dessa vez você coincide com a minha própria
e é, de todas, a mais bela que já vi

o mistério do planeta

não há mistério maior no mundo que o silêncio ele não é o sim nem o não mas a ausência mais presente do universo
talvez, nessa hora, a certeza seja precipitar o agora
então, se não pode haver certeza eu prefiro que fique, silêncio
porque assim, és a possibilidade
não mais que o sim não menos que o não
mas um pulso permanente que testa a minha ansiedade e me enche de multiplicidade

bombas de amor

Concebo, agora, bombas de amor
E elas têm uma força absurda em ser
Concebo agora tudo o que posso ser
E percebo que sou, quando sou o mundo
Nasce, então, uma pesquisa
E ela é vida
Nasce um novo consumo
Uma nova casa
Um incomum trânsito de Saturno
Nasce uma viagem
Nasce uma terapia
Renasce em mim o humano perdido
A ancestralidade
Minha paixão se acalma e transborda
Já não posso mais conter
O amor se multiplica
Sou euforia
Nasce um grupo, um coletivo, afetos rizomizam
Agora escrevo
Agora concebo um novo mundo
Agora medito, agora poetizo
Eu não sou nada mais que ebulição
Prosa, poesia, produção
Diferença, conflito, música, sedução
Movimento
Meu ar e minha terra
Buscam teu fogo e tua água mundo
Meu cérebro é criação subjetiva, amor indecente
Meu cérebro é meu timo e meu coração
Ele vagueia a criar muito e querer tudo concretizar
Emoção desmedida
Em ser tudo o que se pode ser
E receber o que se pode receber
Abrir-se, amar, fluir

#contemporaneoemqualquerlugar

inspirada por "sexo em moscou", de Mano Melo, ofereço meu "sexo contemporâneo em qualquer lugar"
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minha net, doida pelo seu crowd,  bem funding,  pede: enter enter enter com o seu wi-fi que eu libero a senha
nós 2, web 2 td bem colaborativo face to face seu pen drive em mim, baby
ai, essa sua nuvem de tags me deixa louca pra twittar na sua boca 140 caracteres de puro prazer e no meu email, ver vc hackeando meu mundo privado pirateando as minhas zonas de segurança creative commons na cama pro meu software ficar todo livre
e eu digo: i phone que eu gosto, phone! Mac no meu corpo todo essa máquina me mostra teu ultrabook me joga na tela e me chama de wallpaper conecta esse cabo na minha USB mouse, assim, mouse
me faz tua Wikipédia que eu te faço meu Google e vem, faz login em mim
depois desse hangout todo seu aplicativo todinho no meu celular carrega 100% de suor sou sms multimídia e meu whatsapp, se pudesse falar, falaria
nossas configurações se cruzam e assim, …

ensaio sobre a nudez

a poesia, hoje, cedeu lugar à prosa.

O que ainda não é, só se faz sob o sol quando abrimos mão da obediência.  Não a obediência em relação ao outro, mas a que impomos a nós mesmos ou a de outros que introjetamos como se fosse nossa.
(Nilton Bonder, A Alma Imoral)
Hoje, domingo, acordei com um pressentimento. Saí de casa e voltei com uma missão. Era preciso escrever. A febre da escrita passou o dia em suspensão. Ela não sabia muito bem o que seria escrito. E, como febre, assim permaneceu. Mas agora as palavras começam a delinear um cenário. E sabe que, pra que o texto nasça, é preciso um ato: despir-me. Escrevi há alguns domingos atrás que domingo é o dia do possível. E resolvi fazer de todo domingo um dia especial. Religiosamente, para começar a semana com a certeza de que a vida, ainda que não seja escolha, não é senão o que acontece quando damos atenção a nós mesmos. Como muitos de meus dias, este não foi, em parte, como eu queria. Mas quantas vezes não é. Imagino que para todos nós…