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Hoje eu me descobri
Aquela que paira na superfície
Que busca a satisfação imediata
E finge ser a rainha da paciência
Mentirosa
A terapia mais cruel e efetiva
É a solidão deliberada
Masoquismo em se descobrir o que é
Estou sufocada
Como o mergulhador que resolve descer ainda mais
Pra se afastar o máximo que pode da terra
E aí lhe resta uma escolha
Será mesmo escolha?
Ou ele se vai
Ou sobe e encara
Encara que não gosta da sua própria narrativa
E que não é esta que gostaria de contar
Por isso talvez ele se afaste...
Encara que essa narrativa foi mais construída por outros
Que por ele mesmo
E que a maior parte da sua vida lhe passou alheia
Mas então ele tem um deja vu
E se recorda dos momentos em que a vida, essa mesma,
Lhe deu a chance de ser o seu próprio desejo
Aqueles decisivos instantes
Assim, ele tem a certeza
Certeza de que é inconstância e movimento
Quando tudo o mais é raiz e permanência
E não sabe ainda construir o próprio mundo...
Ele cai
E se transforma em formiga
Porque o que ele queria era um barco e muitos portos
E não sempre o mesmo dia
Ele sabe dos seus medos e fraquezas
E quer se libertar
Pra descer no mar somente por prazer e não por fuga
Mas ainda falta estrada
E ele só se acalma com os seus parentes de alma
Ele sabe que é raso
E que tem medo do perene
Ele sabe que se engana dizendo ser feliz com seu trabalho
Ele cansou do excesso do intelecto
E quer corpo e mente integrados
Sem mais nem menos
Ele sabe que só é feliz nos momentos de encantamento
E que se não os vive morre devagar
Ele sabe que amor acontece de repente
E que ama tudo o que lhe toca tão profundo
Mesmo o que acabou de conhecer
Ou o que já conhece faz tempo
Mas o que fazer se nos cobram que sejamos fracos
Se cobramos tanto de nós mesmos?

Amiga pássaro,
Sabemos que precisamos voar e não o fazemos
Amigo filho do sol
Nossa jornada ayurvédica nos espera
Amigo oceano
Você tem razão
Está tudo errado.
Tudo!

O que fazemos então?
O ar rarefeito me tira a respiração

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