nosso amor


o nosso amor foi um lampejo de luz
no meio dos tempos longos,
cinzas e pesados
em que vive o mundo

ele foi correnteza ensandecida de desejo
que começou sem o tempo da espera
nós fomos pressa
e enlouquecemos o delírio dos amantes

o nosso amor delirou
foi errante
subiu alto e explodiu

e hoje quem sabe o que nos aguarda
nas horas incertas das madrugadas...

o nosso amor foi brisa de verão
e ventania invernal
até que, tornado,
levou a casa, o cachorro e a calmaria

ele cumpriu aquele desígnio do universo
de ser eterno no presente
e eternamente no presente fomos
e agora somos
cada um, as nossas próprias madrugadas solitárias
com o mundo a nossa volta

nosso amor, como todo amor um dia,
sofreu a doce e dolorosa desventura do fim
que sempre abre os olhos inquietos dos deuses
para dias hesitantes por vir

e esperamos a calma
cada qual na sua estrada
sabendo que tudo que começa, termina
e que, para terminar, antes precisa começar
alegria essa do começo!

pra cama voltar a ser fruta mordida
e curar as feridas abertas
em veias saltadas
limpando engrenagens enferrujadas

para cada um de nós,
em nossas ordens de grandeza,
se tornar uma nova vela ao vento
direcionada ao infinito

nosso amor foi amor e nada mais
belo como todo ele
impreciso

e no fim do amor,
renascimento
cada qual, um corpo
a trilhar sozinho seu destino irreversível

nosso amor foi luz
e iluminou o indizível

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