Casta Diva


um poema de aniversário para André Protásio

Norma Baiana,
banhada no mais fino óleo de jasmim,
sendo o mundo um palco
és uma diva adorada!

Lá na coxia,
autor trágico,
devora o corpo
de um baterista alado.

Estrela que cativou
espaço imenso no meu coração errante,
tu és meu baianinho, amante
do que existe de mais belo
do que há de mais alegre
do que tem de mais sincero.

Bruxo das imagens-corpo!

Corpo que resiste,
força de leão,
corpo que alonga...

tesão
        esse
               de ser
                         corpo...

Com um bailado Luiz Caldas,
humor de Mafalda,
bota pra quebrar com a moral
porque o que importa nessa vida
é carnaval!

Nesse mundo que é palco, minha diva,
és ainda o calafrio do violino...
                               
Minhas costas se arrepiam
em compartilhar desejos contigo.
Tu que tens um timbre de contralto,
e a delicadeza de um soprano
em dia de fúria...

Venha meu Buster Keaton!
Sei que tens a cura!

A cura dessa chatice
que é a vida dos soberanos...
A cura da gravidade fascista
das hierarquias academicistas!

E dá-lhe joga pedra na Geni...
Mundo de bestas-feras.
Fossem belas,
como são as bestas medievais...
Mas não prestam nem pra isso...

Carmem Carioca tu és.
Dorme em berço rococó
aguardando pelo fim dos tempos!

Pedra sobre pedra,
como dominó,
desejaria ver caindo
a mesquinharia dos homens...

Afinal, quem é rico mora na praia,
mas quem trabalha deveria ir passear!

Ai, fosse o mundo mesmo um palco...
a fortuna viria derrotar os fracos,
o amor venceria nesta terra...
seríamos todos uma grande orquestra!

No entanto,
amor volat undique...
l'amour est un oiseau rebelle...
             Oh!
                   Meu coração não aguenta
                                    tamanho tico tico no fubá...
Mas fazer o quê!?
Diria você: eu só quero amar!

Ora!
Voasse esse pássaro céu afora
e seríamos todos loucos,
para iniciar, magos,
a era pisciana das revelações.

Minha flor de maracujá,
eu te daria toda a água de coco desse mundo,
pudesse eu, neste seu reiniciar!

E iria com Dante ao inferno
para conseguir pra ti a mais bonita das flores,
o mais quente dos invernos,
o perfume certo de um tal corpo suado.
Pra você, astrólogo, que conhece história
do princípio ao fim...

Porque te voglio bene, amore mio,
tu que vens de outras eras,
alquimista que transforma pedras
em corações encantados.

Quero sempre
a tua risada mais gostosa!

Baianinho apimentado,
eu te comeria todinho recheado
pra ganhar tua força de Iansã,

E poder rodar a baiana
por um mundo inteiro
pra quem ama!

Que teu novo ciclo
seja, então, iluminado,
e que o teu filme só termine
quando todo o mundo
estiver renovado,

Pleno de sonhos
na nossa república federativa do afeto!
Casa de ervas, de comida com amor,
e, claro, sempre ele, o sexo!

Fortuna dies natalis, amante!

Casta Diva
Che inargenti
Queste sacre antiche piante

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