blackbird

que nome eu poderia ter agora?
pergunto a mim mesma
diante do espelho das horas

eu...
uma gama de histórias ainda não contadas
poemas guardados que precisam de tempo
para serem revelados...

a multiplicidade do desejo
e um desejo que confunde o que eu vejo
a ansiedade de querer, com os braços,
envolver o mundo inteiro

mas é que agora,
caiu a moldura...
chegou a hora das batalhas mais duras:
as de enfrentar os grandes medos

porém, calma estou
porque já os conheço
e é preciso coragem
para se olhar no espelho

calma estou para iniciar
o que deve ser feito

é preciso foco, ar,
é preciso jeito

disciplina é liberdade...
eu ouvi há muitos anos
e guardei como mantra
na caixa daquilo
que não explicamos

apenas voando
é que sabemos que ela existe,
a liberdade,
e que insiste

sou então, nesta hora,
um pássaro que deixou a gaiola
no eterno retorno de romper
e me reconstruir na aurora

novamente identificando minha delicadeza
que recupero depois de tanta fina dureza
que a vida fez passar por este corpo

e é nesse movimento
que preparo o café como quem massageia o ser amado
e escrevo minha vida
para trocar laços com o que há de mais humano
laços que amo e que são sagrados

sou pássaro negro reaprendendo a voar

a vida inteira,
eu estive esperando
esse momento chegar

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