canto

fez-se calma
minha ansiedade
que à luz, palpitava

fez-se silêncio, então,
o que sedento pulsava

fez-se o tempo...
aquietou-se o campo
esplendorou-se o vento

atravessei flores

a tomar chá de jasmim, pensava

e busquei, dentro de mim,
a harmonia do mundo que dançava

atravessei pilotis

senti aquecer, o sol, meu rosto

e cruzei imensas estradas
encarando o meu desgosto

havia fome, frio, poço...
havia...

arco para cruzar debaixo
sem saber o que haveria,
oposto

se fundo
ou raso

mas revelou, caminho novo,
o fim da estrada

cheiro de incenso raro

e novos livros foram postos
abrindo segredos nas minhas mãos

novas folhas de papel em branco
novas tintas, novos tons

e veio,
ela,
a voz
luzente
a espalhar semente
que emociona

multiplicando
em cada célula
do meu corpo

o canto

alegria inefável
que cala todo o meu pranto

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