I Ching - um poema para tempos ruidosos

recolher-se, em si...
aquietar-se...

é tempo de lapidar os diamantes...
na sala escura, dos homens, distante...

para uma luz brilhar
sem ferir os olhos
é necessário um trabalho árduo

sensível, cauteloso
por vezes, solitário...

nada sabemos do que somos
enquanto tudo proclamamos como sábios...

no poço fundo, caem nossas verdades...

para o florescimento
é preciso devoção!

para o renascimento,
a observação...

retirar-se
momentaneamente
para reorganizar-se

é tempo de balanço!
para que seja triunfal
a descida da montanha...

move-se o universo em favor
quando uma estrela se enche de luz
internamente

virá, no exato momento,
do fundo do poço,
do abismo da alma-corpo,
aquela que mata a sede

por isso, o agora
é o tempo da reforma,
da obra de revestir-se
para a transformação íntima...

e não se pode utilizar um poço
enquanto ele está sendo revestido

este trabalho, no entanto, não é em vão
graças a ele, a água permanece límpida...

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