o olho do universo

alguns poemas nascem rápido diante da poesia do mundo...

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estou em prece
largada ao chão a contemplar o que não descrevo

apenas sinto

o chão é gelado
e meu amor é chama consistente

o olho do universo
ilumina minha varanda
observando meus movimentos
como se soubesse o que penso
e como se compartilhasse dos meus anseios
e, cúmplice, atestasse o meu desejo

sobre a minha bicicleta, a lua cheia,
que sabe que dela nunca me canso

o som de um solo de les paul me arrasta pra longe
e eu poderia chegar agora onde jamais estive antes

assim, tão carregada de futuro...

escrevo e o céu é de um negro profundo
que arrepia os sonhos mais bonitos

chega a doer no peito tamanha beleza
e meu silêncio é uma reza em agradecimento

pois a lua cheia no alto do céu
anuncia novos dias

anuncia um despertar

e as nuvens de cores camufladas
que circulam em torno dela
e logo atrás, a montanha, vista da janela
dizem do meu corpo a querer ser pássaro

queria eu, agora, estar lá perto
a olhar bem dentro do olho do universo

é fácil ser feliz
não é preciso nada além de saber pelo que se vive
e viver por isso que se sabe

a lua atesta

o negro profundo do céu celebra

tudo está aqui
nesta noite que amplia o meu coração

e me traz, em tempos tão exaustos,
uma leve e calma respiração...

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