quando se tem amor

dois poemas de um mesmo dia...

poema alado
na noite de um nascente setembro

lanço flores
para ressaltar a beleza
das rotas dos encontros
e expressar a delicadeza necessária
em tempos cansados do planeta

lanço-as para dar leveza
a pesos desnecessários

a vida é foda
mas é fácil

e me pisca o olho de um deus
na cumplicidade de uma certeza:
o que vem do coração
jamais pode estar errado

o que se faz com amor
é sempre um poema alado

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na tarde de um nascente setembro

Um trabalho, seco
Sem vida, falho
Faltam-lhe afetos
Falta-lhe apreço raro
Um trabalho, escasso
De vida, de fome
Dos que lhe tratam
Perda de tempo?
Tempo mal gasto

Foi-se agosto
Levando o gosto do aprendizado
E deixando um amargo

E aguarda, o coração, a primavera

A luz de setembro há de brilhar
E retomar sorrisos ternos
Abraços fartos
Leveza do corpo
No único dos trabalhos
Que vale o suor e o osso

Ou se tem amor
Ou se está morto

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