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Mostrando postagens de Novembro, 2013

filme de Almodóvar

chove e me atravessa um cheiro de café entonteço... acendem um cigarro e o cheiro do café e o trago me trazem a lembrança daquela viagem entonteço... trabalho... e eu quase poderia ser uma mulher à beira de um ataque de nervos chove tenho fome e penso o óbvio estou cansada trabalho, ensaio, entonteço... queria a carne trêmula a desvendar a flor do meu segredo o cheiro do café... a chuva a memória nenhum desespero mas todo o desejo entonteço... trabalho o cheiro do café o cheiro do cigarro está cinza o vento é frio por hoje chega necessito um vermelho é que chega uma hora em que o corpo desaba e a pele que habito pede um basta tenho fome... paro e desato penso o óbvio abrir um vinho fazer um macarrão e no labirinto da minha paixão me esquecer a ver um filme de Almodóvar entonteço...

cartas

relendo as cartas que escrevi pra ti faz tempo era vento que soprava leve a angústia dos meus sentidos aquela luz ecoava tempo incerto que se foi e, perdido, não é mais que palavra eternizada no papel meu véu já não esconde mais teu rosto foi-se o tempo em que eu era tua aurora sou, em tempo, uma nova espécie de agora