eu e a palavra

poucas coisas hoje me fazem tão feliz quanto escrever. gosto de acordar, correr ou praticar yoga, tomar meu café e sentar para escrever. eu passaria o dia escrevendo. foi percebendo isto no ano passado que resolvi, finalmente, investir na escrita como carreira. sei que não é nada fácil. para viver de escrever é preciso vender muitos livros, coisa bem difícil hoje em dia. mas existem caminhos para isso, e já comecei a trilhá-los, pois há que se caminhar, já que o caminho se faz assim. estou concorrendo a um prêmio de literatura em língua portuguesa na categoria poesia, com o meu livro "poemas em carta e outras poesias" e a uma bolsa do ministério da cultura para escrever o meu romance, o primeiro volume da trilogia "as cartas de sara" que, na verdade, já comecei a escrever. adoraria, daqui há um tempo, poder inverter a lógica do meu dia a dia hoje. atualmente, vivo da produção na área musical, que adoro também, mas produção é algo que consome. e tenho que ter muito jogo de cintura para equilibrar uma atividade altamente extrovertida, que me põe em contato com muitas pessoas e questões o dia inteiro, com a atividade de introspecção que é a escrita, e da qual preciso muito. não vivo só de uma ou só de outra. mas daqui há um tempo gostaria que meu sustento viesse da palavra, e eu pudesse, então, escolher, mais ainda do que já faço, que produções realizar. sonho? é... sonho bastante possível, atrás do qual eu já estou correndo... na escrita eu exorcizo os meus demônios e realizo uma das minhas mais profundas necessidades: a de expressão; além da vontade de viver várias vidas. escrever um romance, por exemplo, que é o desafio que me dei agora, é poder viver várias vidas, é poder falar sobre a vida, o amor, o mistério, a filosofia, de maneira mais livre, poética, ensaística. sempre fui uma ensaísta. minha dissertação de mestrado e minha monografia de graduação são dois grandes ensaios filosóficos sobre cultura... sem a escrita, essa necessidade de expressão que tenho se coloca de qualquer jeito, e pode virar uma perda de tempo de palavras soltas nas redes sociais. mas a escrita não foi uma escolha na vida. ela é quem me escolheu. às vezes, tenho a impressão da palavra estar no ar e de repente cair em mim: me sinto um meio, apenas, para que a palavra exerça sua força e tudo o que ela é capaz de dizer. já disse aqui no blog em um outro texto, uma frase que me guia, dita pelo meu grande amigo leonardo guelman, pensador e escritor de mão cheia: uma palavra vale mais do que mil imagens! eu fotografo a vida com a palavra. e a palavra diz mais do que qualquer fotografia.

Comentários

  1. Que paixão inspiradora! Que as palavras te guiem em direção à sua felicidade e completude!

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