improvável domingo


acordei um tanto extensa
e o cheiro de café
invadia meus sentidos

fazia silêncio, o céu estava azul
ventava um vento gelado
e eu podia ouvir, ao longe,
os pássaros

e me lembrei do rio,
do açude, das galinhas
da montanha que não cansava
de ser alma em forma de pedra

acordei e ouvi meu riso de criança,
de quando eu corria sem tempo
na sala grande da avó
fazendo festa

e me lembrei a primeira vez
que vi a morte...

acordei e vi algo
que ainda não havia visto

era domingo
e tudo foi novidade
como a grande novidade um dia
da menina de olhos curiosos

aprendi, desde cedo,
a conviver com o improvável
e, assim, acreditar
no inacreditável

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