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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Atonal

sei lá que tipo de matéria eu quereria ser agora sei que assim, compactada como um corpo humano, não dou conta nesta hora queria era estar decomposta talvez em poeira estelar em células mortas infinitamente dividida em minúsculos grãos de areia ao vento que se espalhariam e não restaria nada que pudesse dizer: veja, aquilo tem identidade nenhum sólido nenhum corpo nenhum sentido exposto nada que conte história sem passado sem futuro só o presente sobreposto nele mesmo sem desejo mas com devir sem afeto mas com instinto sem amor apenas existindo arrastada pelas tempestades sem controle destituída de toda saudade desmembrada das cláusulas que um dia o meu corpo assinou descentrada e só diluída na partitura da dor