A-moral

Que o encantamento
É fruto da verdade do imoral
E a imoralidade não mente
Calafrio é calafrio
Pulso acelerado
Não é nada mais que ele mesmo
Que os olhares não mentem
Mais que as intenções
Que sangue é sangue
E a cor azul não mente
A voz, muito menos
O tempo... este menos ainda

Que revela ele deste tempo todo
Que não percebi?

Era uma vez um tempo que passou
E numa página dele
Uma partitura inesperada
Como de praxe constrói
O seu legado
Pergunto: será?
Desejo: será!
Que a moral não é mais forte
E nunca foi
Nenhuma instituição
Jamais venceu a pulsão
Que o mar, o céu e as pradarias
Sempre foram horizontes que conversam

Em suas imensidões líquida e aérea
Dialogam, fluidas, com a imensidão terrestre
De casca, de chão, de história de luta
De seriedade sólida que revela
Uma consistência poética
E uma profundidade de paixão

Que o imoral deseja realizar-se
Pulsão!
E revela, o outro lado, o seu apoio
Porque sempre haverá sim,
Fidelidades perversas
Como sempre,
E a história nunca contradisse,
As traições de enorme sinceridade

Que o encantamento é fruto
Da verdade do imoral
E o imoral a mais profunda verdade

(Julho de 2016)

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