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Mostrando postagens de Junho, 2018

Aniversário

Quando eu era mais nova, achava que aos 38 anos teria grandes certezas. No entanto, hoje, ao completar 38, só sei que nada sei. Descobri que após tanto condicionamento, só nos cabe, na vida, aprender a desaprender. Não que eu não saiba nada; mas sei mais hoje sobre o invisível, o impalpável, sobre o dentro. Intuo. Na verdade, acredito agora que esse é o único conhecimento concreto, porque a vida é pura impermanência e todo conhecimento externo é apenas uma manifestação fragmentada do interno. Fora da gente, tudo é caos. Nos é impossível absorver o fora de forma total e encontrar as repostas nele. Fora, pintam nossa imagem de maneira caricata e "encaixotada", desde cedo. E nós não somos nossa imagem, mesmo que acreditemos nela, que tenhamos aceitado tudo o que disseram que nós éramos, deveríamos fazer, ser ou não ser. Nada sei hoje sobre qual é o melhor caminho a seguir. Apenas sei como eu posso começar a melhor contribuir com o mundo que eu desejo. Estou aprendendo a desapr…

Humanos

No insondável, habitamos
Sólidos, planetários
Trajamos corpos limítrofes
Com almas imortais
Já nos havíamos encontrado
Quando, onde, que importa
Quanto tempo tem uma vida?
Quantas vidas cabem na aorta?
Estamos no agora
E carregamos naves insanas
No meio do peito
Que polidas no viver
Invadem a massa cinzenta
De nossa arrogância
E observam, elas, a maravilhosa
Perfeição da impertinência
De sermos, tão somente, humanos
Carnes que se querem e apodrecem
Mas almas que vieram espelhar-se
Para fazer da vida uma obra de arte
Infinitos, até quando 
Residimos nos abismos
Líquidos, como a água do rio
Que se funde no oceano divino
No silêncio, habitamos
Etéreos, terráqueos
E a cada morte 
Renascemos extáticos
Um só campo, trágicos
Estrelas de uma constelação
Imperfeita, somos mágicos
No cosmos, amamos
E amar é desaprender