Aniversário

Quando eu era mais nova, achava que aos 38 anos teria grandes certezas. No entanto, hoje, ao completar 38, só sei que nada sei. Descobri que após tanto condicionamento, só nos cabe, na vida, aprender a desaprender. Não que eu não saiba nada; mas sei mais hoje sobre o invisível, o impalpável, sobre o dentro. Intuo. Na verdade, acredito agora que esse é o único conhecimento concreto, porque a vida é pura impermanência e todo conhecimento externo é apenas uma manifestação fragmentada do interno. Fora da gente, tudo é caos. Nos é impossível absorver o fora de forma total e encontrar as repostas nele. Fora, pintam nossa imagem de maneira caricata e "encaixotada", desde cedo. E nós não somos nossa imagem, mesmo que acreditemos nela, que tenhamos aceitado tudo o que disseram que nós éramos, deveríamos fazer, ser ou não ser. Nada sei hoje sobre qual é o melhor caminho a seguir. Apenas sei como eu posso começar a melhor contribuir com o mundo que eu desejo. Estou aprendendo a desaprender. Colocando à prova as minhas verdades que pareciam tão imutáveis para ver o que vai ficar. Tomando decisões transformadoras, questionando até verdades que me pareciam tão certas há apenas alguns meses, e me preparando, inclusive, para lançar novos trabalhos, mais alinhados com o que descobri sobre o que eu não sou. Após uma grande crise pessoal em 2017, em 20 anos foi a primeira vez que me dei tempo, que saí do meu padrão workaholic, aprendendo a viver com menos em todos os aspectos, para reavaliar a vida e descobrir os porquês das angústias e insatisfações, quando por fora tudo parecia ir tão bem. Estou fazendo as pazes com muito de mim e chegando a algo que sempre busquei, sabendo, claro, que isso é só o início do caminho. Há muito caminhar pela frente, para a vida toda. Viver é desaprender para sempre. E agradeço por ter chegado a esse entendimento. Agradeço por tudo! E por isso, tenho a sensação de que chego aos 38 mais plena, mais em comunhão com a força criadora e divina que existe dentro de mim e de todos nós, que sinto que apenas nos atravessa. Não é nossa. E é libertador que não seja. É libertador me descobrir um canal de algo maior, descobrir como posso servir ao coletivo e deixar de lado meu orgulho barato. Todos somos um, parte de uma única teia. O que você faz e é impacta em tudo. Mude a si mesmo e mudará o mundo!

Em 19/06/2018