Depois da conversão da noite

Espreguicei no silêncio,
A alma repleta de sábado.
Respirava fundo,
Sentia o cheiro de luz.
A madrugada, úmida,
Tinha som de marolas
E de grilos preguiçosos.
Lá, extasiada, fui convertida
À igreja do corpo
E das memórias perdidas.
Acharam-se, elas, numa lua escondida
Num céu de nuvens-bálsamo
Encoberto pela escuridão.
Cresci um tanto de centímetros
Nos sonhos.
Hoje, eles alcançam
O longe das planícies.
Atravessam montanhas,
Correm junto aos rios,
E se metem a querer ser o oceano.
Tão largos, sagrados e santos!
Vez em quando fingem ser coqueiros
E deixam suas folhas serenas balançarem
Como se fossem os cabelos de Deus.

Alonguei no horizonte.
Estava escuro.
Eu via tudo...
A alma repleta!