SOBRE A AUTORA

Sobre VANESSA ROCHA

Poeta e escritora, escreve desde o quinze anos e publica seus textos online desde 2006. Em 2007, lançou o seu primeiro livro, Novelo, pela Editora Multifoco, coletânea de poemas e contos. O segundo livro veio em 2013, pela Editora Mundo das Ideias, Poemas em carta e outras poesias. Desenvolve ainda projetos para atuação e declamação, a maioria com base em textos literários. Tem entre seus últimos trabalhos: um espetáculo inspirado no seu segundo livro, Poemas em carta, encenado em 2013 e 2014; a criação do aclamado poema Rio, 450 gestos, declamado pelo músico e ator Márcio Sanchez no concerto de estreia da orquestra Johann Sebastian Rio, em 2015, que integra ainda um vídeo-poema e foi destaque nas principais mídias cariocas; a criação da série de poemas As quatro estações cariocas, inspirada nos sonetos escritos por Vivaldi para a sua famosa série de composições, As quatro estações, com interpretação da autora em concerto da Johann Sebastian Rio na Sala Cecília Meireles; o roteiro do monólogo Viver é muito perigoso, e não é não, criado a partir do clássico de João Guimarães Rosa, "Grande Sertão: Veredas", no qual também atuou. No momento, dedica-se a escrever o seu primeiro romance, uma saga de família que atravessa 150 anos de história do Brasil e de Portugal.

Atua ainda como produtora cultural desde o ano 2000. É a atual diretora de produção da Orquestra Sinfônica da UFRJ e foi uma das fundadoras da orquestra Johann Sebastian Rio, da qual foi diretora executiva até 2017. Formada na Universidade Federal Fluminense em Produção Cultural, fez pós em Economia da Cultura na Universidad de Valladolid, na Espanha, e mestrado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse último, foi aprovada em primeiro lugar na seleção com o projeto de construção de uma genealogia do conceito de cultura. A dissertação foi orientada pelo filósofo Paulo Vaz e o texto recebeu elogios do escritor e historiador Muniz Sodré. Por quatro anos, foi professora universitária na UFF (curso de Produção Cultural) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing/ESPM (curso de Administração e Marketing). Formou-se ainda em Teatro pelo curso de Formação de Atores da UFF e estudou canto. Desde 2001, pratica e estuda o Yoga, tema sobre o qual também pretende escrever um dia.

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Breve narrativa da vida

Meu nome é Vanessa Rocha da Silva, mas uso apenas Vanessa Rocha porque considero mais sonoro e forte para uma escritora, embora esse sobrenome seja de um dito cujo que abandonou a minha bisavó grávida porque tinha ciúmes doentios dela. Ele saiu para comprar cigarros e sumiu. Literalmente! Não é lorota. Na minha família, esse tipo de história existe. Nasci em Petrópolis, em 1980, sob o inquieto signo de gêmeos. Petrópolis é a terra do meu bisavô fujão e de toda a família Vieira (o sobrenome que eu deveria ter), exceto da minha mãe que, por um acidente histórico, nasceu em Juiz de Fora. Essa família, repleta de mulheres fortes e histórias de amor, formou-se a partir de empreendedores e alguns artistas de ascendência açoriana que tiveram contato até com os nossos imperadores Pedro I e II. Sou tataraneta de um corajoso rapaz que, na segunda metade do século XIX, atravessou o Atlântico com seu primogênito no colo, saindo da Ilha Terceira dos Açores para fazer a vida na serra fluminense. Carrego as montanhas e o mar dentro de mim. Neta de atores amadores por parte de mãe, aprendi a amar a arte com os meus avós. Filha de dois batalhadores, entendi desde cedo o valor do trabalho. Irmã mais velha de uma aquariana e uma escorpiana, nunca deixei de aprender muito sobre o amor. Vivo no Rio de Janeiro, mas meus olhos e o coração já miram outras paisagens.

Sou inquieta como criadora e realizadora. Quase todos os assuntos me interessam, da história à astrologia, passando pela física. Mas o que escolho na vida é aquilo que me escolhe. Fui escolhida pelas palavras. Escrevo desde tão cedo que não me lembro quando comecei. Depois pelo teatro, e já estive no palco com textos clássicos de Brecht e Lorca até textos meus e clássicos da literatura. Então, fui escolhida pela música. Estudei piano e fracassei. No canto, que estudei de 2007 a 2013, me saí melhor. Costumo dizer que a música é o meu outro, quando a minha palavra se cala e da qual ela se alimenta. Sou absolutamente apaixonada por Beethoven e Mahler e a minha alma treme quando ouço o Réquiem de Mozart e música barroca, especialmente Bach. A música me escolheu de uma forma tão intensa que me tornei produtora de orquestras. O yoga também me escolheu. Em 2001. Ou talvez na infância, quando eu via o meu pai praticando e achava fascinante. Acredito que muito do que sou devo a esta prática e não me reconheço mais sem ela. Recito mantras como se soubesse sânscrito. E, claro, não pense que não me interesso em estudar sânscrito, eu que sou amante da linguagem. Na verdade, já comecei.

Acredito no poder das redes de afetos e no amor, mas não deixo de flertar com a malícia do mundo, porque o "bem" e o "mal" não são absolutos e convivem dentro de cada um de nós. Sonho ter um barco, viajar o mundo todo e publicar muitos livros, pois escrever é, definitivamente, o que mais amo fazer. Acho que a vida é muito curta para geminianos, mas felizmente podemos prolongá-la criando e vivendo plenamente. Gosto da sensação de que esta vida é um grande, bonito e profundo mistério. Quer saber um mistério? Em 2012, descobri que o meu nome, Vanessa, foi criado pelo escritor Jonathan Swift, em um poema de despedida chamado Cadenus e Vanessa. Interessante, não? Até o século XVIII o meu nome não existia no planeta e um escritor o criou em um poema de despedida dedicado para a sua amante. O nome é um codinome, criado a partir do sobrenome e do diminutivo do nome da mulher, que se chamava Esther Vanhomrigh. Eu já escrevia há muitos anos quando descobri isso. E descobri exatamente quando eu estava produzindo o meu livro de poemas dedicados. A vida é mesmo um mistério!

Foto: Ana Clara Miranda